Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)
Vista geral
Vista aérea do campus da Unicamp
Criada por decreto-lei em 1962 e inaugurada oficialmente em 1966, a Universidade Estadual de Campinas surgiu como um centro estratégico de formação de mão-de-obra altamente capacitada nas áreas de tecnologia e ciências naturais voltadas principalmente para a pesquisa científica. Com o tempo, a universidade diversificou-se e hoje há grande destaque por sua formação e produção científica nas ciências humanas, sobretudo nas áreas de artes, economia, filosofia, história e geografia. Atualmente, a instituição mantém o "status" de ser a maior produtora de patentes de pesquisa no Brasil, superando instituições de renome como a Petrobrás e a Universidade de São Paulo (USP).
Estrutura
Biblioteca Central Cesar Lattes.
A cidade universitária da Unicamp, dentro da qual se localiza a maioria das suas unidades, tem o nome de Zeferino Vaz, um dos principais responsáveis pela criação da universidade.
Hoje, a instituição possui cerca de dez faculdades, dez institutos, um centro de educação tecnológica, um centro de estudos de idiomas e dois colégios técnicos. Conta ainda com um hotel de alto padrão para hospedagem de pesquisadores e professores visitantes e uma editora própria, a Editora da Unicamp, responsável por publicações de renome em diversas áreas do conhecimento científico.
O Sistema de Bibliotecas da Unicamp conta com dezenove unidades. Além das bibliotecas espalhadas pelas faculdades e institutos, existe a "Biblioteca Central Cesar Lattes", que possui amplo acervo abrangendo diferentes áreas do conhecimento. O material existente nesse sistema pode ser consultado através de seu banco de dados eletrônico, que oferece a possibilidade de realização de downloads de parte de seu acervo digitalizado (teses e dissertações).
Sala de aula do Ciclo Básico I
Na praça central estão dois prédios com formato circular chamados de "Ciclo Básico I", que são considerados um dos principais pontos de referência do campus. O local passou por uma reforma recentemente, tendo suas salas de aula ampliadas e modernizadas.
São cerca de dezesseis mil alunos matriculados na graduação e cerca de doze mil na pós-graduação, além dos mais de três mil alunos matriculados nos cursos técnicos. No total a Unicamp possui 563 982 metros quadrados de área construída, em um terreno total medindo 3.447.833 metros quadrados. Seu principal campus está localizado em Barão Geraldo, distrito de Campinas, distante catorze quilômetros do centro da cidade. O deslocamento entre as diferentes unidades pode ser realizado gratuitamente por duas linhas de ônibus que circulam continuamente por toda a universidade.
A Unicamp fornece assistência estudantil e social de alta qualidade aos seus alunos. Disponibilizam-se bolsas de pesquisa, bolsas-trabalho, alimentação e moradia para alunos carentes. Todos os alunos, professores e funcionários possuem assistência médica e odontológica, podendo ser atendidos em ambulatórios instalados dentro da própria universidade. Há um complexo esportivo na Faculdade de Educação Física, que possibilita aos alunos acesso a piscina e diversas opções de práticas esportivas.
Parte do complexo esportivo da Faculdade de Educação Física.
Os estudantes contam ainda com um programa de moradia estudantil, sendo esse um dos poucos no país com atendimento especial para pessoas casadas ou com filhos.
O campus principal da Unicamp possui três restaurantes universitários, sendo dois deles abertos aos alunos, funcionários, professores e visitantes e outro, situado sob o HC, que é reservado aos membros da área da saúde.
O seu hospital universitário é um centro de referência em diversas áreas da saúde, atendendo, além de funcionários e alunos, pacientes oriundos de toda a Região Metropolitana de Campinas (RMC) e até mesmo de outros estados do Brasil.
Histórico
Apesar de ter sido criada por decreto lei em 1962, a história da Unicamp efetivamente começou antes, e consolidou-se depois dessa data. A cidade de Campinas há muito fazia campanha por uma faculdade de Medicina, praticamente desde os anos de 1940. Essa campanha ganhou força no início da década de 1960, e os campineiros conseguiram a aprovação do referido decreto-lei. Entretanto a faculdade de Medicina só recebeu autorização para funcionamento em 1963, nas dependências da Maternidade de Campinas.
Com o passar do tempo, a faculdade de Medicina foi se estruturando graças ao apoio cedido pela Universidade de São Paulo e outras universidades do interior paulista. Em alguns anos ela já se encontrava em plena atividade e chegava então o momento de se pensar na criação de outras unidades. Uma decisão tomada nessa época determinou os rumos da universidade: ao contrário dos demais centros universitários já existentes, que se voltavam à formação de profissionais liberais para o mercado, a Unicamp teria como ênfase a pesquisa e tecnologia, sem romper definitivamente com o setor produtivo.
Em 1966 foi autorizada a instalação dos Institutos de Biologia, Matemática, Física, Química, das Faculdades de Engenharia de Campinas, de Tecnologia de Alimentos e de Engenharia de Limeira, e no ano seguinte foi incorporada a Faculdade de Odontologia de Piracicaba.
Em 1968 foi construído o primeiro prédio no local do campus atual da Universidade, o Instituto de Biologia, lugar que foi escolhido com muito cuidado, tendo fácil acesso pelas rodovias - o que confirma a idéia de fazer da Unicamp um centro de pesquisas que envolvesse profissionais das mais diversas regiões. Outra característica marcante do planejamento cuidadoso do campus é sua divisão em áreas de humanas, biológicas e exatas, e seu formato circular, que facilita a locomoção interna. O logotipo da Unicamp é uma reprodução pictórica do mapa do campus.
Outras unidades vieram a surgir nos anos seguintes, como o Instituto de Estudos da Linguagem (1977), o Instituto de Geociências (1979), o Instituto de Economia e a Faculdade de Educação Física (1984) e o Instituto de Computação (1996). Até 1985 a universidade só contava com cursos em período integral, mas nesse ano optou-se pela criação de alguns cursos noturnos.
Até 1987, a UNICAMP realizava seus vestibulares em parceria com a FUVEST. A partir desse ano, ela passou a realizar o seu próprio vestibular (elaborado pela COMVEST), composto por duas fases distintas. Na primeira fase, o candidato tem de responder a 12 questões dissertativas envolvendo as matérias de matemática, história, geografia, biologia, física e química, e elaborar uma redação conforme tema sugerido pela banca elaboradora da prova. Aqueles que obtiverem boas notas passam à segunda fase onde, durante quatro dias, o candidato responde a questões de matérias pertencentes ao currículo do ensino médio.
Atualidade
Laboratórios de ensino do Instituto de Química da Unicamp
Hoje a Unicamp é uma das mais importantes universidades em pesquisas do Brasil, sendo a responsável por 15% de toda produção científica realizada no Brasil. É nessa universidade que se concentra a maior parte do Projeto Genoma brasileiro, em função, sobretudo da sua grande tradição nas ciências biológicas, aliada a uma crescente superioridade em ciências computacionais. Também devem ser destacadas as pesquisas nas áreas de medicina, química, física, engenharia elétrica, engenharia de alimentos, engenharia mecânica, engenharia química, engenharia agrícola, linguagem e estudos literários, na área das ciências sociais, história, geografia, artes e economia, sendo que é na Unicamp que se formaram grande parte dos técnicos que atuam junto ao governo federal.
A expansão continua até os dias de hoje. No ano de 2004, a Unicamp inaugurou mais três cursos de graduação, e continuamente amplia o número de vagas no seu concurso de seleção; concurso que agora oferece uma pontuação diferenciada para estudantes que cursaram o ensino médio nas escolas públicas. A Unicamp crê que assim minimizará as injustiças da seleção, que fatalmente premia o candidato socialmente mais favorecido, que teve mais oportunidades de estudo durante o ensino fundamental e médio.
Administração
Avenida próxima a Reitoria durante a primavera
A Administração da Unicamp é centralizada nas mãos do reitor e de um prefeito do campus. O reitor da Unicamp tem um mandato de quatro anos, e é escolhido pelo governador do estado de uma lista com três candidatos. A lista de candidatos é formada pelos três mais votados pela comunidade acadêmica (funcionários, professores e alunos), e o governador tem sempre escolhido o mais votado entre os três.
Zeferino Vaz, responsável pela instalação da universidade, foi o primeiro reitor após a inauguração da universidade, permanecendo no cargo por doze anos.
Graduação
A Unicamp oferece atualmente 58 cursos de graduação ministrados em período integral, matutino, vespertino e noturno.