A Universidade de São Paulo (USP) é considerada uma das mais importantes instituições brasileiras de ensino superior, exercendo atividades de ensino, pesquisa e extensão universitária em todas as áreas do conhecimento. A USP está posicionada entre as maiores universidades do Brasil: é a terceira maior universidade brasileira em número de alunos, sendo a maior universidade pública do país. Contribuindo com cerca de um quarto da produção científica brasileira, recentemente foi eleita como a 94ª melhor universidade do mundo e a melhor universidade da América Latina deixando em segundo lugar no subcontinente a Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM). É uma instituição pública caracterizada como autarquia, sendo mantida pelo governo do estado de São Paulo.
Suas unidades de ensino estão distribuídas em nove campi universitários: sendo um na cidade de São Paulo, capital do Estado, e outros nas cidades de Bauru, Lorena, Piracicaba, Pirassununga, Ribeirão Preto e dois em São Carlos.
O lema da USP é Scientia Vinces, em português Vencerás pela ciência.
Visão geral
O Relógio da USP.
Além de ser, entre as universidades públicas, aquela com o maior número de vagas de graduação e de pós-graduação no Brasil, a USP é tradicionalmente considerada por setores diversos da sociedade a melhor universidade brasileira, sendo responsável também pela formação do maior número de mestres e doutores do país, bem como responsável por metade de toda a produção científica do Estado de São Paulo e mais de 25% da brasileira.
Em pesquisas feitas por diversos institutos, a USP é reconhecida como destaque na America Latina: É considerada a melhor universidade dessa região e uma das 130 melhores do mundo de acordo com a edição de 2007 do Academic Ranking of World Universities. Foi classificada pelo The Times (The Times Higher Education Supplement) como a melhor instituição de educação superior da América Latina e 175ª melhor do mundo, na edição de 2007 da revista.
Ao longo da história recente do Brasil, a USP tem assumido sistematicamente este papel de destaque, atuando na criação de infra-estrutura científica e tecnológica e na formação da elite intelectual do país. Sendo a universidade mais tradicional do estado de São Paulo, a contribuição da USP para a história brasileira é evidente mesmo nos detalhes mais superficiais: mais de uma dezena de presidentes brasileiros se formaram na universidade, como o sociólogo Fernando Henrique Cardoso e o advogado Jânio Quadros, este último e outros dez apenas na Faculdade de Direito, cuja fundação precede em 110 anos a da própria Universidade.
O ensino na USP é regimentalmente gratuito (ou seja, é considerada ilegal a oferta de cursos universitários pagos) e o ingresso à graduação se dá por concurso público (conhecido como vestibular) aberto a qualquer pessoa que tenha concluído o ensino médio. O concurso vestibular da USP é realizado pela FUVEST, uma fundação autônoma ligada à universidade. O concurso realizado pela FUVEST é tradicionalmente o maior e um dos mais concorridos do país, envolvendo mais de 150 mil candidatos para cerca de dez mil vagas de graduação.
História
Criação
Após a derrota de São Paulo na Revolução de 1932, o Estado se viu ante a necessidade de formar uma nova elite capaz de contribuir para o aperfeiçoamento das instituições, do governo e a melhoria do país. Com esse objetivo um grupo de empresários fundou a Escola Livre de Sociologia e Política (ELSP) em 1933, e o interventor de São Paulo (cargo que, naquele momento, correspondia ao de governador) Armando de Salles Oliveira criou a Universidade de São Paulo (USP), em 1934. Nas palavras de Sergio Milliet:
"De São Paulo não sairão mais guerras civis anárquicas, e sim 'uma revolução intelectual e científica' suscetível de mudar as concepções econômicas e sociais dos brasileiros".
A ELSP assumiu o objetivo de formar elites administrativas para um novo modelo que vinha se configurando em que se notava uma atuação crescente do Estado, enquanto a USP voltou-se a formar professores para as escolas secundárias e especialistas nas ciências básicas. O modelo sociológico norte-americano constituiu o exemplo para ELSP, enquanto que o mundo acadêmico francês foi a principal fonte de inspiração para a USP.
Origens
A USP surgiu da união da recém-criada Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) com as já existentes Escola Politécnica de São Paulo, Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", Faculdade de Medicina, Faculdade de Direito e Faculdade de Farmácia e Odontologia. A FFCL surgiu como o elemento de integração da universidade, reunindo cursos nas diversas áreas do conhecimento. Ainda em 1934 havia sido criada a Escola de Educação Física do Estado de São Paulo, primeira faculdade civil de educação física no Brasil e que viria a ser incorporada pela USP anos depois. Na seqüência foi criada a Escola de Engenharia de São Carlos - EESC e outras várias unidades foram sendo criadas pela universidade nos anos seguintes, e nos anos 60 a universidade foi gradualmente transferindo as sedes de suas unidades para a Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira, em São Paulo.
Um conjunto residencial da Cidade Universitária da USP.
Regime militar
Durante a década de 1970 e parte da de 80, alguns críticos acreditam que a USP tenha passado por um esvaziamento intelectual, tanto do ponto de vista da produção do conhecimento quanto do da qualidade dos recursos humanos. Durante as décadas anteriores, a universidade serviu de palco para a discussão de um novo projeto de país, reunindo diversos intelectuais de esquerda (como Florestan Fernandes, Fernando Henrique Cardoso, Bóris Fausto, Paul Singer, Antonio Candido, Gioconda Mussolini entre outros) em suas várias unidades (mas especialmente na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras). Com a limitação das liberdades democráticas promovida pelo Regime Militar brasileiro (que passava por seus anos mais rígidos), uma grande quantidade de professores da USP são cassados (e muitos deles são obrigados a sair do país), assim como uma parte dos alunos envolve-se com a resistência (política e armada) à ditadura, o que gerou afastamentos compulsórios de suas faculdades.
Tal situação levou a uma menor produção de conhecimento, ainda que certos avanços, especialmente do ponto de vista tecnológico (que chegou a ser financiado pelo governo) tenham sido obtidos. Promoveu-se também um aumento sistemático do número total de vagas de graduação, incentivado pelo governo do Estado. Este fato é apontado por alguns críticos como uma resposta ao movimento estudantil anterior à sua politização, quando ele mobilizava-se apenas pelas questões educacionais.
O vazio causado pelo afastamento dos professores e alunos perseguidos pelo Regime Militar interrompeu-se com a campanha de anistia política, já no início dos anos 80. Em diversas unidades da USP, a volta de professores cassados foi celebrada, embora muitos deles tenham sido recontratados em condições precárias (antigos professores catedráticos assumiram cargos de auxiliares de ensino).
Expansão de unidades
Instituto de Física.
Paralelamente ao esvaziamento intelectual decorrente da repressão política, ocorreu na USP nas décadas de 1960, 70 e 80 um processo de fragmentação de suas unidades: foram criadas novas faculdades e novos institutos, o que resultou em novos cursos de graduação, novas linhas de pesquisa e programas de pós-graduação. A dissolução da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) costuma ser apontada como um símbolo paradigmático deste processo.
Originalmente pensada como o núcleo acadêmico da universidade, reunindo em si os vários campos do conhecimento puro, a FFCL, com o tempo, viu seus departamentos ganharem autonomia e se transformarem em unidades plenas (autônomas e administrativamente separadas de sua unidade original). O Instituto de Física foi o primeiro departamento a desvincular-se da FFCL, seguido igualmente de outros departamentos ligados às ciências exatas e biológicas. Desta forma, com a permanência apenas dos cursos ligados às humanidades, ocorreu uma reforma interna na unidade e ela passou a se chamar Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas. Recentemente (no ano de 2005) surge na Zona Leste de São Paulo a chamada USP Leste, um novo campus no qual se instalou a Escola de Artes, Ciências e Humanidades, com cursos que fogem à tradição universitária brasileira e visam à diversificação das áreas consolidadas da instituição.
Em 21 de março de 2006 a USP aprovou a incorporação da Faculdade de Engenharia Química de Lorena (Faenquil) e passou com isso a ter uma unidade no Vale do Paraíba, com cerca de 1.600 alunos no total, sendo 1.200 na graduação.
Estrutura
Cidade universitária Armando de Salles Oliveira, campus da USP na capital do Estado de São Paulo. Em destaque na foto, a Praça do Relógio
Atualmente a USP é formada por 36 unidades de pesquisa e ensino, 24 das quais se localizam em São Paulo, cidade que abriga também a reitoria, um centro de práticas esportivas (CEPEUSP, o maior da América Latina), 4 museus, 2 hospitais (HU e HRACF), o Centro Universitário "Maria Antônia" e diversos órgãos especializados da universidade. Além disso, se vinculam ou a ela se subordinam, para fins de ensino, pesquisa e extensão, diversos outros órgãos públicos do estado. Recentemente, a USP expandiu-se para um novo local em São Paulo, o que ficou conhecido como USP Leste (a Cidade Universitária localiza-se na Zona Oeste do município), que iniciou suas atividades de graduação e extensão em 2002.
Organização
A USP, assim como a maior parte das universidades latino-americanas, corresponde à idéia de "universidade" como um conjunto de escolas, institutos e faculdades autônomas, cada um deles responsável por uma área do conhecimento (as já citadas 36 unidades de ensino, pesquisa e extensão). A USP, assim como a maioria das universidades brasileiras, confere autonomia a suas unidades de ensino, pesquisa e extensão no que concerne à organização didática e definição curricular de cada um dos cursos, o que resulta muitas vezes em uma considerada excessiva fragmentação do ensino e da pesquisa e da desconexão entre o conhecimento produzido em cada uma das unidades.
Cada unidade está dividida em departamentos. Um departamento normalmente é responsável por um dos cursos oferecidos pela unidade ou por uma linha de pesquisa específica. No caso de unidades com apenas um ou dois cursos, os departamentos não ficam responsáveis pela totalidade do curso, mas por uma parte dele. Devido à já citada fragmentação e descentralização da universidade, é comum ver departamentos com perfis semelhantes em unidades diferentes, o que gera críticas quanto à eficácia dos investimentos públicos e duplicação de esforços.
Graduação
A USP oferece atualmente 210 cursos de graduação, cada um deles subordinado a uma determinada unidade (com exceção de alguns cursos interunidades, por exemplo, o curso de Informática Biomédica, que é oferecido pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto em conjunto com a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto). No primeiro semestre de 2004 foram oferecidas 3 225 disciplinas (a unidade básica de ensino na USP).
Os cursos de graduação são classificados pela FUVEST em três grandes áreas: os de humanidades, os de ciências biológicas e os de ciências exatas.